terça-feira, 1 de julho de 2008

O 14 de maio de sempre - por Josemir Camilo de Melo*

Conversando com militantes do Movimento Negro da Bahia, me informaram que já estão cansados desse negócio de 13 de maio, porque o que interessa é o que tem acontecido à sua comunidade a partir de 14 de maio. Correto. Isto serve diretamente aos historiadores que sempre só querem estudar a escravidão. O Movimento está preocupado é com o presente, este presente recente que completa agora 120 anos de independência. Como se deduz de um jornal abolicionista em 1888: em 1822 não houve independência (dos negros). E aí, a gente reflete que foi verdade.
Se se fizer uma análise destes 120 anos de abolição, o que aconteceu com a enorme massa de quase um milhão de pessoas escravizadas no pós 13 de maio? Todo mundo tinha que trabalhar em qualquer coisa para sobreviver. A Lei Áurea era curta e grossa, mas só acabava com a escravidão. Se por um lado onerava o latifundiário que havia antes ‘comprado’ um ser humano, por outro lado não deu condições nenhuma a estes seres humanos que ficaram vagando ao léu, sem educação, sem moradia, sem qualificação de mão de obra e, portanto, sem emprego. Aparecendo assim, na história, nu de tudo, desprovido de qualquer capital a não ser a própria inteligência e alguma vontade de vencer ou escapar na vida, este povo, em 120 anos o que acumulou? Todos sabem que no mundo capitalista dinheiro chama dinheiro. E aqueles que não tinham capital algum chamaram o quê? Em que poderiam investir? Em nada. Ficaram marginalizados no novo sistema que começava no país, o capitalismo industrial precisando de mão de obra qualificada, especializada. 13 de Maio!
Que foi importante o 13 de maio, foi. Tudo tem sua importância histórica, devidamente enquadrada quando estudada. Mas nem o mundo nem a História é esta coisinha harmoniosa de sucessão satisfatória. Parte da elite se rebelou contra a escravização do ser humano, mas quando? Já no final do sistema. A cidade de Areia fica cheia de júbilo em dizer que libertou os escravos antes de todos, só porque o fez 10 dias antes, no dia 3 de maio. Se éramos tão humanitários por que não o fizemos antes? Por que a cidade deixou enforcar o escravo que matou, em 1848, o político Chacon, e apenas prendeu os mandantes do crime, da elite local? Queremos mostrar que todo processo histórico é cheio de contradições. Estórias harmoniosas só em conto de f(r)a(l)das. Então, é isso. O ponto de discussão é: o que tem sido feito nestes 120 anos para compensar primeiro estes 120 anos de marginalização e, em segundo plano (mas o mais importante) para compensar os cerca de 350 anos de prisão e tortura a que um povo inteiro foi submetido (de 1530 a 1888)?"
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Sou admiradora e pesquisadora da História do Negro no Brasil, e nas minhas pesquisas encontrei este artigo (dia 14 de maio de 2008 - no paraibaonline) super interessante que quero compartilhar com vcs...
*Meu eterno professor que é PHD em História.

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